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Após 18 anos, agência dos EUA aprova remédio contra o Alzheimer

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Após quase duas décadas, uma medicação foi aprovada, mas a decisão está sendo considerada controversa. Saiba mais!

Entre uma das diversas doenças que podem acometer os seres humanos, está o Alzheimer, que é considerada extremamente triste, seja para aqueles afetados por ela ou para as pessoas ao seu redor.

De acordo com informações do portal G1, o Alzheimer destrói progressivamente o tecido cerebral, afetando diretamente na memória das pessoas, e também provocando alterações de humor acentuadas, além de dificuldades na comunicação.

Para a grande maioria dos pacientes de Alzheimer, os sinais começam a aparecer após os 65 anos. Em todo o mundo, a doença afetando entre 30 e 40 milhões de pessoas, sendo considerada a forma mais comum de demência.

Se você já conviveu com alguma pessoa vitimada pela doença sabe o quanto é difícil. Ainda que os pacientes não sejam sempre capazes de perceber as mudanças que o Alzheimer causou em suas vidas, aqueles ao seu redor conseguem testemunhar cada dia mais a ‘perda’ daqueles que amam a cada dia, mesmo em vida.

Como é uma doença comum, ganha atenção dos cientistas, que unem esforços para encontrar uma maneira de curá-la ou pelo menos amenizar os seus efeitos.

Em 2003, um medicamento chamado memantina foi aprovado para o combate ao Alzheimer. Esse remédio impede a ação do excesso do glutamato nos neurônios. Altos níveis do composto facilitam a entrada do cálcio nas células neuronais, levando-as à morte.

Após quase 20 anos, a FDA, agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, aprovou uma nova medicação, no último dia 7 de junho. O remédio se chama Aduhelm, e servirá para o tratamento dos pacientes de Alzheimer.

O medicamento foi desenvolvido pela empresa da Biogen Inc. é o primeiro a combater o declínio cognitivo relacionado à causa da doença, que os cientistas acreditam ser o acúmulo excessivo de uma proteína chamada beta-amiloide no tecido cerebral de algumas pessoas à medida que seu sistema imunológico envelhece.

A droga é desenvolvida a partir de células de defesa de idosos que não tinham demência. Ela foi constituída de maneira a remover depósitos aderentes da beta-amiloide do cérebro de pacientes nos estágios iniciais da doença para conter. Uma das consequências desses depósitos é a perda de memória e a incapacidade de realizar autocuidado.

O Aduhelm foi testado em dois estudos, e em ambos foi capaz de reduzir o acúmulo da beta-amiloide nos pacientes. Os cientistas também descobriram que a medicação, ao fornecer anticorpos, conseguiu restaurar parte de sua capacidade do organismo de eliminar o acúmulo da proteína.

O tratamento anual com o remédio pode chegar ao valor de 50 mil dólares, aproximadamente R$ 250 mil.

Embora essa seja uma grande conquista, tanto para os cientistas, quanto para todos aqueles que convivem com a doença, direta ou indiretamente, nem todos concordaram com a aprovação da medicação.

Alguns especialistas independentes consideraram que as evidências sobre o Aduhelm eram insuficientes para que ele fosse utilizado nas pessoas.

O medicamento foi testado em dois ensaios clínicos de fase 3, em pacientes com a versão leve da doença. Em um deles, o Aduhelm demonstrou uma redução no declínio cognitivo dos participantes, mas no outro isso não aconteceu. Por conta disso, o ensaio clínico da medicação chegou a ser suspenso porque aparentava não funcionar. No entanto, após uma revisão de dados feita pela farmacêutica ficou comprovado que, em doses mais altas, a droga impediu o avanço do Alzheimer em 22%.

A FDA manifestou algumas dúvidas sobre a verdadeira eficácia, e por isso informou que a medicação passará por uma nova fase de testes, que podem levar anos, mas nesse meio tempo o Aduhelm já estará disponível no Brasil.

John Hardy, professor de neurociência da Universidade de Londres, no Reino Unido, disse à agência RFI que, na melhor das hipóteses, a medicação é de ‘benefício marginal’ e só ajudará pacientes selecionados cuidadosamente.

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