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Sobrevivente de incêndio na boate Kiss se casa com enfermeira que cuidou dele

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Emanuel Pastl, 27, foi um sobrevivente do incêndio que aconteceu em 2013 na boate Kiss em Santa Maria, Rio Grande do Sul. O homem leva consigo lembranças boas e ruins do acontecimento, ele e o irmão gêmeo estavam no local na noite do ocorrido, mas se não fosse por isso ele não teria conhecido a esposa e mãe de sua filha.

Naquele dia, Emanuel estava de férias da faculdade, onde cursava engenharia, para celebrar o aniversário de 19 anos com o irmão gêmeo, Guilherme, eles decidiram ir na boate com uns amigos e namorada da época. A casa noturna estava tão lotada que alguns colegas de Guilherme decidiram ir embora mais cedo ou buscaram a área de fumantes, na rua, para fugir do desconforto. No momento do incêndio, permaneceram apenas os irmãos, a namorada e cunhada de Guilherme, na época, e um amigo de infância deles.

“Achávamos, inicialmente, que era briga, porque não tínhamos visão do palco. Começou a gerar um certo tumulto e nos encontramos no bar para deixar as pessoas passarem. Mas uns 30 segundos depois começamos a visualizar fumaça e tivemos a percepção que era incêndio, e então começamos a sair em direção à saída de emergência”, recorda Emanuel.

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Direitos autorais: Reprodução

Graças aos ensinamentos do pai, um bombeiro aposentado, os irmãos conseguiram manter a calma e procurar uma saída para tentar respirar ar puro. Eles se desencontraram, na saída, mas um confiava que o outro saberia como agir. Emanuel conseguiu deixar o local sozinho, guiando o caminho com a lanterna do aparelho celular e buscando a luz na área externa da boate. Ainda assim, sofreu queimaduras nos braços e nos olhos e precisou ser entubado devido à inalação da fumaça tóxica.

“Do momento de saída mesmo, eu não me lembro. Eu me lembro de estar na rua, caminhando, alguns segundos assim. Eu acho que estava com pouco oxigênio na casa noturna, respirei um pouco fora, mas o momento específico de saída eu não me lembro. Dali a polícia já me levou para o hospital”, disse.

Um amigo reconheceu Emanuel e entrou em contato com a família dele, os irmãos foram enviados para o Hospital Universitário na região metropolitana de Porto Alegre. Foi aí que Emanuel conheceu a atual esposa e mãe da filha Antônia. Ele ficou 10 dias internado precisando de auxílio de ventilação mecânica, e uma das responsáveis por isso era a enfermeira do grupo de pele Mirélle Bernardin.

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Direitos autorais: Reprodução

Depois que teve alta, Emanuel ficou em recuperação por 30 dias em casa. Passou, então, a falar com Mirélle pelas redes sociais, que estava de férias na casa da família, em Agudo, a 230 km de Canoas e perto de Santa Maria. “A gente começou a conversar, se apaixonar, a se encantar um pelo outro, e, quando ela voltou, a gente começou a namorar e casamos. Mas, em relação à Kiss, somos super tranquilos. Não tenho nenhum trauma, nem ela, por ter me atendido”, conta o marido de Mirélle e pai da Antônia, de dois anos.

Eles se casaram em 2018, 5 anos após o ocorrido. E agora Emanuel trabalha em uma empresa de proteção contra incêndios. Atualmente, é engenheiro de segurança, contribuindo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas na elaboração de protocolos e dando palestras sobre o assunto como técnico e como sobrevivente da tragédia na boate.

“O quanto foi minha decisão racional para seguir nesse ramo, eu não sei. Só sei que me encontrei nele. Não sei se é um dever — mas sigo nele. Não tive uma decisão racional: “Vou fazer por causa da Kiss”. Não tive esse ímpeto. Foi uma oportunidade e estou dando meu melhor. Talvez uma vontade de Deus, que me empurrou para isso, não sei”, afirmou.