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Ela abandonou o Direito depois da morte do pai pedreiro. Hoje é mestre de obras e sustenta a família

Direitos autorais: reprodução Instagram/@sandravalentim_obras.
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Ela mudou de carreira e hoje ensina quem quer executar obras. Mesmo sofrendo preconceito por ser mulher, hoje é uma das mais bem-sucedidas no ramo.

Sandra Valentin tem 41 anos e sua história serve como exemplo e superação. Tomou uma decisão que para muitos seria bem difícil, já que abdicou do Direito e virou mestre de obras, tudo para sustentar sua família e continuar o legado do pai.

Ela contou ao Universa que seu pai sempre foi pedreiro, virou mestre de obras e passou a fazer casas para vender como pessoa física, sem uma construtora. Durante esse tempo, ela fazia faculdade de Direito e se preparava para ser aprovada em concursos públicos.

Em 2009, tudo mudou depois que seu pai, o esteio da família, faleceu de câncer. Quatro meses depois, seu único irmão morreu em um acidente de carro. Além da dor da perda, não havia mais ninguém que pudesse continuar com o negócio da família, que precisava de sustento.

Existiam três casas para ser construídas, então, Sandra se viu na obrigação de continuar os empreendimentos. Ela relata que, se sua mãe tivesse alguma aposentadoria ou pensão, não teria dado continuidade às obras.

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Como seu pai não recolhia o INSS, não teve o que deixar para a família. As casas ele construía para vender e, sem uma construtora, trabalhava muito. Sem ele, o dinheiro não girava. Diante do desafio, Sandra encarou os canteiros de obras todos os dias até terminar as casas. Mesmo não sabendo nada no início, ela foi se superando dia após dia.

Disse que chegava de bermuda e chinelos. Ao ver que não era dessa forma que conseguiria ajudar, já que nunca tinha visitado as obras do pai, não sabia qual era a melhor vestimenta, pois não era algo com que convivia diariamente.

Foi então que aprendeu a administrar uma obra, mesmo que não precisasse fazê-la, mas teria que ter a noção de como ela seria realizada, afinal de contas, como ela poderia coordenar algo se não sabia como funcionava? Por isso ficava direto no canteiro, comentou Sandra.

Continuando o legado do pai, de 2009 a 2013, construía casas e vendia, mas depois de alguns prejuízos, chegando a vender os imóveis a preço de custo, estudou uma forma de mudar a situação e descobriu um novo mercado no ramo. Começou a administrar obras para terceiros.

Após muito perrengue e vontade de desistir, agarrou a brecha e não deixou a oportunidade escapar. Aprendeu o máximo que podia e hoje é administradora de obras e acrescenta outros serviços e construções de alto padrão.

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A condição de ser mulher foi um diferencial, mesmo com todo o preconceito que lhe rodeou. Sandra conta que o olhar feminino é muito mais detalhista, e transformou isso em vantagem. Estudou muito e conseguiu seu lugar, à custa de esforço próprio. Ela relata que não está pegando o lugar de ninguém. Ser mestre de obras é aprender na prática, mas é necessário estudo e dedicação também.

Encontrou nas redes sociais uma maneira de mostrar seu portfólio e começou a receber muitos feedbacks de mulheres que se identificavam com sua forma de trabalhar. Elas faziam arquitetura, mas tinham medo de não ser respeitadas, já que são mulheres.

Sandra passou por julgamentos por causa disso, pois os concorrentes diziam que ela não sabia assentar um tijolo e estava coordenando algo que não sabia fazer. Só se deu conta de que foi discriminada por ser mulher quando viu suas seguidoras contando as mesmas situações que sofreram.

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Por isso, decidiu dar voz a essas mulheres e usa seu Instagram para compartilhar seu dia a dia e dicas de como executar obras, assim ensina quem deseja entrar nesse ramo. Sandra já capacitou mais de 200 alunos. Conclui que ser mulher não tem nada a ver com incapacidade para esse ramo. Ela é a prova viva disso e, mesmo se alguém falar algo, mostrando competência, nada prevalecerá contra, finalizou.

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