Desenvolvimento InteriorReflexãoVida

A sombra nossa de cada dia

“Os tempos mudaram, mas nossos olhos e a maneira como nosso cérebro processa informações não mudam.” – Lung e Prowant



Embora tenham se passado mais de dois milênios, os desejos, os objetivos e a ingenuidade dos homens mudaram muito pouco. Nicolau Maquiavel escreveu: “Os homens têm e sempre tiveram as mesmas paixões”. E acrescento: as mes­mas necessidades, os mesmos medos. Por mais que tenhamos evoluído, não crescemos nada emocionalmente. Continua­mos os mesmos, repetindo, muitas vezes, os mesmos compor­tamentos.

Agora você já parou para pensar que nossa vida, e a de todos, seria bem melhor se as pessoas assumissem quem são – sua dualidade, sua luz e sua sombra, o bom e o ruim, o bem e o mal? A questão é que projetamos no outro nossos desejos obscuros, nossa sombra – o que não admitimos em nós mesmos. Devemos ter a consciência de que ter um lado sombrio não é possuir uma falha, mas ser completo. A som­bra nos pertence e podemos conviver muito bem com ela. É a existência da sombra que nos faz querer ser melhores, evo­luir emocionalmente. Afinal, nada pode acabar com a som­bra, pois não podemos nos separar da dualidade. Precisamos reprimir nossos instintos selvagens, porém, apesar de nossos esforços, haverá muitas derrotas. O caminho ideal para con­viver bem com a sombra é ter consciência de que ela existe, afinal, não é a resposta, os caminhos, que nos faltam – é sua aplicação. Segundo Deepak Chopra, há incontáveis caminhos para a cura da alma. Mas ninguém tem tempo, energia, nem coragem para experimentar todos eles.

Com isso, o caminho que escolhemos é projetar nos outros nossa sombra. Muitas vezes, nem nos damos conta de que temos o mesmo comportamento, a mesma forma de lidar com a situação. Não reconhecemos, não temos consciência dessa nossa faceta. Por isso, o processo de autoconhecimento deveria ser uma prática constante de todo ser humano. Deve­ria ser algo estimulado dentro de casa, nas escolas, nas em­presas, nas universidades etc.

Entrar em contato conosco, termos a coragem de nos encarar no espelho de forma a enxergar nossos mais diver­sos ângulos é para poucos. Mas, hoje em dia, no mundo que construímos e continuamos construindo, se não soubermos lidar com as nossas emoções, com as nossas fragilidades, re­conhecermos nossos pontos fortes e a nossa sombra, não so­breviveremos por muito tempo. Se sobrevivermos será por meio de medicamentos, drogas e outros meios de fuga de si mesmo. Reavaliar nossa vida, fazer um balanço de tudo o que fizemos, tem de ser uma prática constante e não apenas na virada de cada ano.


Nos preocupamos em dominar as pessoas, conquistar as coisas e, nesta batalha externa, nos perdemos. Nos perde­mos na nossa sombra. Quem sabe, um dia, nos daremos conta de que a maior conquista de um homem é o conhecimento de si mesmo. O que lá nos primórdios foi dito por Sócrates – “Conheça-te a ti mesmo”. O maior domínio que podemos ter é das nossas emoções. Conhecê-las para usar a nosso favor e bem de todos.

O homem evoluiu. A pressão que vivemos hoje não vai diminuir. A competitividade só tende a aumentar. O caos, o estresse já está instaurado. No entanto, o contato consigo mesmo é imprescindível para a conquista da paz tão deseja­da, mesmo dentro do caos. Como disse Chopra, a alma huma­na é um lugar de ambiguidade, contradição e paradoxo. E é assim que deve ser, porque toda experiência da vida, que é manifestação da alma, é resultado de contraste. E não esqueça que o seu mundo é reflexo da sua alma, das suas escolhas.


A atração mental

Artigo Anterior

Conheço seus motivos para me odiar. Conheço suas razões, pois já estive no seu lugar

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.