Amor que não se mede – como lidar com a preferência dos filhos…

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É comum e muito natural que todos nós passemos por uma fase de predileção e até de idolatria pelo genitor do gênero oposto. Meninos muito apegados às mães e meninas apaixonadas pelos pais são vistos com mais frequência do que se imagina em todas as culturas.



A psicanálise se baseia exatamente nessa relação para explicar toda a vida afetiva dos indivíduos, inclusive os problemas nessa área durante a vida adulta. Muitos pais não sabem como lidar com essas manifestações, que se iniciam na primeira infância (de 0 a 3 anos).

No caso de meninas, o amor intenso pelo pai, acompanhado de ciúme e raiva da mãe, enquanto que, nos meninos apego excessivo à mãe e a péssima relação com o pai podem se tornar um problema se não desaparecerem antes da vida adulta.

Seguem alguns pontos para ajudar a lidar com a situação:

– É importante que a criança perceba o papel de cada um. No caso de pais que vivem juntos, ela deve observar e discriminar que existe uma relação afetiva entre ambos e uma relação dos dois com ela. Crianças devem assistir manifestações de afeto entre os adultos como: carinho, mãos dadas, etc. É assim que elas aprenderão como agir – comportamento se aprende observando. Em casos nos quais os pais não são mais um casal, é importante que estes mantenham uma relação social de respeito e diálogo entre si para que a criança não seja levada a tomar partido de um ou de outro, se um deles ou ambos já tiverem novas relações, a criança deve ser informada, deve participar e perceber igualmente manifestações de afeto.


Diga sempre que amor de mãe e de pai pelos filhos é diferente de amor de namorado, que são sentimentos distintos e que, quando ela crescer mais, vai entender tudo isso. Não se estenda muito e nem fique dando explicações em demasia, crianças entendem frases curtas e diretas. O comportamento não verbal é muito mais importante, sempre.

– Caso a criança apresente afeto intenso pela mãe e repulsa ao pai, por exemplo, deve-se facilitar a proximidade de ambos. Crie situações para que eles fiquem mais tempo sozinhos e façam atividades juntos. É indicado também que nesse caso o pai se envolva mais na rotina do filho através de atividades como dar banho, fazer a tarefa, levar à escola, etc. Outra dica válida é mostrar à criança o prazer de fazer coisas específicas de cada gênero. O pai pode, como sugestão, convidar o filho para cuidarem do carro juntos, ou assistir a um esporte na TV.

No caso das meninas, a mãe pode propor uma tarde no salão de beleza ou um passeio numa loja de produtos femininos. Deve-se facilitar a amizade e a cumplicidade que existe entre pessoas do mesmo gênero.


– Crianças manifestam seus sentimentos durante as brincadeiras. Se a menina brinca que ela é a princesa e seu pai é o príncipe, é legal entrar na fantasia e propor que a mãe seja a rainha, o pai o rei, e ela continue sendo a princesa. O papel socioafetivo se desenvolve brincando. A brincadeira é uma forma tão eficaz de intervenção que nós psicólogos a usamos na psicoterapia infantil. Invista nisso, brinque com seus filhos.

– Ignore os comportamentos inadequados de quem quer chamar a atenção. Se a criança separar fisicamente o casal ou começar a gritar durante uma conversa entre eles, diga a ela que não deve agir assim. Crianças que separam as mãos dos pais para entrar no meio deles devem ser acolhidas, porém não sempre. Em algumas vezes, proponha que ela escolha um dos lados. Nunca façam tudo que eles querem.

– Comportamentos agressivos devem ser punidos. Uma boa conversa seguida de alguns minutos de isolamento para reflexão da forma que os pais acharem mais adequado é uma boa opção. Ignore quando a criança interromper ou estiver tentando chamar a atenção, é extremamente difícil, mas ignore. A birra deve ser ignorada.

É importante lembrar que, a psicoterapia ajuda muito e se faz necessária quando a criança e/ou o adolescente estiver sofrendo diante deste ou de qualquer sentimento. Lembre-se que, resolver internamente a relação com os nossos pais e humanizá-los (enxergá-los como seres humanos e não como seres idealizados) é crucial para a felicidade afetiva de cada um de nós.

Sim, pessoas que idolatram seus pais e os enxergam como perfeitos não conseguem se relacionar afetivamente de forma saudável, pois passam a vida, buscando, sem perceber, alguém “tão perfeito” quanto seu pai ou sua mãe.

Ninguém é perfeito e amar só é possível aos que descobriram isso, sobre si e sobre o outro.

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* Matéria atualizada em 10/04/2017 às 6:32






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