Reflexão

Colocar um filho no mundo é fácil, ser pai e mãe é que é o verdadeiro trabalho!

Muitos acreditam que as crianças precisam se frustrar desde cedo para que aprendam logo que a vida é feita de insatisfações, mas isso pode ser encarado como educação?



O nascimento de uma criança mexe com as estruturas de toda a família. Em um mundo ideal, onde os genitores participam ativamente dos cuidados e da educação dos filhos, os anos iniciais já dão mais trabalho do que se pode imaginar, imagine-se quando a mãe ou o pai precisam enfrentar tudo isso sozinhos?

Todos sabemos que a educação pode ser desafiadora e que muitos “especialistas”, “profissionais” ou simples “palpiteiros” tentam vender a fórmula mágica da criação!

Parece até inacreditável, mas muitas pessoas lucram com as dificuldades dos pais e mães de primeira viagem, prometendo recém-nascidos que dormem a noite toda, desmame gentil, crianças independentes e desfraldadas antes dos 3 anos. Mas será que isso existe mesmo?


Não existe atalho quando o assunto é educação dos filhos. O caminho, na maioria das vezes, é bem mais longo e tortuoso do que costumamos imaginar. Não há manual ou fórmula secreta que nos façam ter menos trabalho; a criação exige do corpo e da alma uma força inimaginável.

Por isso, por mais que as mulheres passem por fases extremamente complexas, como a gestação e o puerpério, educar alguém sempre vai ser o maior desafio de todos. Tenta-se dividir por etapas e espera-se que os filhos cumpram as tabelas de crescimento, de desenvolvimento, de desfralde, de desmame, como se precisassem, desde os anos iniciais, provar algo para a comunidade.

A sociedade não está preparada para receber crianças, quantas vezes elas não são abertamente criticadas por simplesmente chorar no supermercado? É aceitável que as pessoas defendam que os infantes não devam frequentar certos espaços nem viajar de avião, uma discrepância!

Atentar para as verdadeiras necessidades de um filho, esquecendo-se por um momento que existem inúmeras caixas para caber e metas a serem batidas, é o verdadeiro desafio. Nem sempre sua criança vai andar antes de completar um ano, pode ser que ela precise de mais tempo para desmamar, pode ser que queira colo de vez em quando e que você tenha paciência.


Respeitar as etapas das crianças é prezar por um futuro mais humano, onde cada indivíduo é devidamente respeitado e bem tratado. Devemos enxergar as dificuldades das crianças e tentar, cada vez mais, conectar-nos a elas, buscando entrar no seu mundo de fantasia e não destruindo seus castelos imaginários.

Os primeiros anos de vida dos filhos passam muito rápido para ficar levando em conta o que os outros dizem. No fim do dia, seu filho enxerga você como herói ou heroína, e mais ninguém.

A dificuldade, portanto, não está em ter filhos, mas em assumir o papel de verdadeiros guardiões da infância, zelando para que a sociedade não perca tempo tentando frustrar as crianças, arrancando seus sonhos e seu mundo de imaginação.

Não existe trabalho em deixar uma criança chorando para que “aprenda desde cedo a se frustrar”, nem existem motivos científicos para fazer isso. A dificuldade mesmo está em acolher, em esquecer tudo o que já se ouviu ou viveu, e abrir os braços para ajudar aquela criança. Todos passaram muito tempo acreditando que a agressividade e outros comportamentos ignorantes são capazes de educar um filho, mas isso é o que tem causado a quantidade de traumas que tantos adultos carregam.


Colocar um filho no mundo é fácil, o difícil é entender que apenas o amor é capaz de educar e que só através dele é que veremos mudanças verdadeiras na nossa sociedade. As crianças são o futuro da nossa nação, mas nunca devemos esquecer que elas também são o presente, elas estão aqui, agora, e merecem uma infância respeitosa e cheia de afeto.

“Revelei para meus filhos que estou namorando um amigo mais velho deles”

Artigo Anterior

Nas horas vagas, policial conserta bicicleta e doa para crianças carentes. “As pessoas têm que ter empatia”

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.