Esperando a sua “cara-metade”? Então senta e espera. Mesmo.

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Eu sou suspeita para falar de amor. Sempre tive os dois pés atrás com essa palavrinha, antes mesmo de ter consciência de que ela era, na verdade, um sentimento. E que sentimento!



Minha primeira decepção amorosa aconteceu quando eu tinha 11 anos e me apaixonei perdidamente pelo irmão de uma amiga minha, na época cinco anos mais velho do que eu, estudante de veterinária e mulherengo assumido.

Eu sou suspeita para falar de amor. Sempre tive os dois pés atrás com essa palavrinha, antes mesmo de ter consciência de que ela era, na verdade, um sentimento. E que sentimento!

Minha primeira decepção amorosa aconteceu quando eu tinha 11 anos e me apaixonei perdidamente pelo irmão de uma amiga minha, na época cinco anos mais velho do que eu, estudante de veterinária e mulherengo assumido.


Sete anos mais tarde ele já havia namorado metade das minhas amigas, engravidado uma delas, casado, mudado de cidade, voltado, engordado e perdido todo aquele sex appealpelo qual eu havia me apaixonado. Ainda assim, a simples menção do seu nome me causava uma comoçãozinha quase estúpida.

Afinal, ele tinha sido o meu “primeiro” amor, né? Aquele pelo qual a gente se descabela, chora abafado no travesseiro, ouve música romântica pra pensar na pessoa – e sofrer um cadinho mais – e jura de pés juntos que nunca, mas nunca mais mesmo irá sentir por mais ninguém o que sente por ela. Nem de perto. E ai de quem ousar tentar dizer o contrário

E quer saber? É verdade!


Aquele primeiro amor doído, não correspondido (no meu caso nem mesmo sabido pela outra parte) é mesmo único e escancara as portas para o que ainda está por vir. Amadurece, às vezes endurece, prepara para outros amores mais maduros, mais complexos, mais duradouros, talvez. Mas não existem regras para isso. Cada um encara essa parte da vida de forma diferente. Tem gente que se expõe demais, outros simplesmente preferem sofrer caladinho da silva.

O fato é que, cedo ou tarde, você vai precisar encarar isso de frente e se preparar para o que quer que aconteça, porque essa é justamente a graça da coisa (ok, em alguns casos está mais pra piada de mau gosto) e, cá entre nós, por mais ‘low profile’ que você seja, uma hora esse bichinho te pega de jeito. Ahhh… e como pega!

É só parar para pensar em como o amor é superestimado. Já repararam na quantidade de filmes, músicas, poemas, programas de TV, livros de autoajuda, hipnoses, macumbas e afins que existem por aí sobre esse tema?

Todos com o intuito de resolver o seu “problema”, te ajudar a reconquistar alguém que muitas vezes, nessa altura do campeonato, já nem lembra mais o seu nome, “trazer de volta a pessoa amada em sete dias” ou te dar dicas valiosíssimas sobre como aumentar a sua autoestima e dar a volta por cima. Em último caso, sempre existe a lobotomia.

Mas qual será o motivo desse frenesi todo em torno do amor – ou da falta dele

Nós não somos bichos solitários. Gostamos de compartilhar os nossos sentimentos, gostamos de nos sentir amados, valorizados, lembrados, queridos, desejados, úteis. Nada de errado com isso!Acontece que, nessa busca por alguém que nos complete, topamos com uns sapos no caminho e insistimos em beijá-los na esperança vil de que eles se transformem em príncipes.

Ooooopa, peraê. Eu disse “nessa busca por alguém que nos complete?”

É aí que a coisa começa a feder…

Estamos tão habituados a viver – e a sentir – no piloto automático, que muitas vezes não percebemos a cilada por detrás de nossas palavras e crenças.

Vamos combinar: nós não somos um jogo de quebra-cabeças cujas pecinhas para completá-lo estejam em poder de uma pessoa que de repente nós ainda nem conhecemos. Ou se conhecemos, vomitamos em cima do pobre coitado toda a responsabilidade pela NOSSA felicidade ao achar que as pecinhas que faltam estão no tabuleiro dele.

Sério mesmo?

Olha só, vou contar um segredo. Nós já somos seres completos. Nós não somos um boneco Lego que precisa juntar uma pecinha aqui e outra acolá para ficar de pé.

“Minha outra metade”? Oi? Como assim? Tá dividida no meio, criatura? Sua “outra metade” é você mesmo, talvez aquela sua partezinha obscura da qual você não tenha muito orgulho, mas está lá e é sua! Só sua, benhê!

Então encare as suas qualidades, os seus defeitos e pare de procurar em outra pessoa o que você já tem. E se estiver procurando algo que você não tenha (ou ACREDITE não ter), trabalhe nisso. Com você e para você.

Eu digo por experiência própria: quando você entender que é uma pessoa completa, com tudo o que tem de bom e com as suas neuras também, e assumir a pessoa que você encara todo dia no espelho, então outra pessoa (também completa) irá cruzar seu caminho e acrescentar aquele ‘algo mais’ na sua vida, as tais borboletas no estômago, aquele sorriso besta que fica estampado na sua cara mesmo quando você fica horas presa em um congestionamento ou quando o chefe te dá aquele esporro básico em plena segunda-feira chuvosa.

E se por acaso não der certo, você vai chorar sim, vai ouvir música triste, sentir muita saudade do FDP, tomar potes de sorvete – ou litros de vinho – enquanto assiste pela enésima vez a “Um lugar chamado Nothing Hill”, alugar ‘horrores’ aquela sua amiga que acompanhou todo o babado e pintar o cabelo de verde. Só pra citar alguns.

Mas quer saber? Você vai sair dessa do mesmo jeito que entrou: inteira, completa, como você sempre foi. E por mais que doa pra caraca, você não sentirá como se tivesse perdido uma perna ou como se um pedaço de você tivesse ido embora junto com aquela versão paraguaia de Romeu.

E sabe por quê?

Porque você descobriu, finalmente, que para ser feliz no amor basta se permitir ser muito amada. Por você, em primeiro lugar, e pelo sortudo que cruzar o seu caminho!

O amor vale, sim, muito a pena. E você vale muito mais!

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