Reflexão

Felicidade é poder fazer o que a gente ama, ter alguém para amar e sonhos para realizar

Capa Felicidade e poder fazer o que a gente ama

Mais do que nos preocupar em alcançar a felicidade, é preciso conhecer o caminho até ela.



A definição de felicidade não deve ser buscada no dicionário. Ela deve ser dada por nós e, mais importante do que isso, redefinida por nós a todo instante.

Não existe um protocolo para a felicidade, isto é, abandone a procura por guias práticos por ela e comece a procurar em si o sentido dessa palavra.

Mas se em meio a tantas indeterminações, formos capazes de dar aqui ao menos um vislumbre de definição a respeito de um aspecto particular da felicidade, diríamos: ela não é um estado permanente.


Já dizia o poeta e compositor Tom Jobim em sua célebre A Felicidade: “Tristeza não tem fim / Felicidade sim”.

Se não há uma fórmula, ao menos existe um caminho: podemos buscar em nós mesmos uma definição para esse substantivo. Mas, acima de tudo, é preciso lembrar que, ao vivenciá-la, ela não se instalará em nós, tampouco nos agarraremos permanentemente a ela.

Sua condição fugaz fará com que tenhamos que redefini-la constantemente. Fará com que sejamos obrigados a tornar a busca por ela o propósito maior da nossa experiência. E quando, por sorte ou acaso, esbarramos com ela, que possamos perceber a raridade do momento.

Não deve haver nada de frustrante nisso. Despir-nos da ingenuidade de nossos estágios mais pueris deve servir para nossa maturidade emocional.


Olhe bem e perceba: há qualquer coisa satisfatória em compreender o funcionamento das coisas. Há, sobretudo, algo de transformador em entender os próprios sentimentos.

Imagine poder dizer: já sei como a vida funciona. E, para além disso, imagine não se estarrecer com o diagnóstico realizado. Mas, antes disso, encontrar energia vital dentro de si para enfrentá-la, contorná-la ou simplesmente vivê-la.

Com o tempo, vamos perceber que, à revelia das limitações que encontramos no caminho, vamos driblando nossas circunstâncias. Vamos conseguindo, em um processo de pura teimosia, encontrar uma brecha na mediocridade e cansaço do cotidiano para nos posicionar à luz do sol.

Esse lugar é mais ordinário do que parece. Suas formas exuberantes apenas assumem contorno quando nos damos conta de que, por um breve tempo, o vivenciamos. Esse instante fugaz o qual chamam felicidade.


Se não é permanente, ao menos está aí, nesses instantes. Que estejamos, então, acordados, treinados, alertas, para que não os deixemos escapar.

Não seria bom saber que estamos vivendo os bons tempos sem que precisássemos deixá-lo para nos dar conta?

Comece, então, a investigar o que o tem feito feliz? O que, nas suas tarefas ou naquelas há muito deixadas para trás, lhe provoca o maior entusiasmo? Garanto, não será difícil acessar essa memória. Sentimentos assim são raros, estão sempre inquietos em nós.

Repare também que suas relações têm o poder de elevar, em você, suas maiores virtudes. Aqueles amores, seja de qual natureza forem, que são capazes de despertar, no seu interior, o desejo de se aperfeiçoar para que possa oferecer a eles sua melhor versão. E que, do mesmo modo, o conduzem a enfrentar suas sombras e questionar seus defeitos.


Por fim, para se manter vivo, é preciso cultivar seus sonhos. É preciso se manter desperto para o horizonte que se anuncia. Sonhar é ainda o principal indicativo de que há algo em nós que confia no amanhã, que se projeta para além da tortuosidade dos dias ruins. Em meio às dificuldades, há algo mais raro do que ter perspectiva?

Poder fazer o que se ama, ter alguém para amar e sonhos para realizar, mais do que nos garantir um lugar nesse espaço tão fugaz chamado felicidade, garante-nos a certeza de que estamos vivos. E não há condição maior para alcançar a felicidade do que a vida.

Que bom que estamos vivos.


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