Reflexão

Pessoas que gostam de ficar sozinhas: “Sou a minha melhor companhia”.

Capa Pessoas que gostam de ficar sozinhas Sou a minha melhor companhia

Aprender a ser feliz sozinho nos torna melhores para nós mesmos e para quem convive conosco.



Estar em contato com quem amamos e cultivar um bom círculo social é, na maioria das vezes, sinal de que vai tudo bem em nossas vidas. No entanto, há outras maneiras de nos sentir bem com nós mesmos. Para algumas pessoas, a forma mais confortável de se levar a vida é sozinho, tendo em si, sua melhor companhia.

Ao longo de nossa trajetória, estamos em constante contato com outras pessoas. Nossas condições de vida, por exemplo, dependem do nosso trabalho, o que implica na convivência com diferentes perfis de pessoas e o estabelecimento de diferentes tipos de relacionamentos, sejam eles na relação chefe e funcionário, como também entre colegas de trabalho.

O mesmo acontece em relação ao nosso aprendizado. Desde o ensino primário até a especialização, nossa formação se dá na companhia de diferentes sujeitos, diferentes de nós em tantas formas.


Assim estamos, em diferentes situações e por diferentes circunstâncias, ligados a uma rede extensa de relações. Somos, como diria o filósofo grego Aristóteles, seres sociais.

No entanto, entre as fissuras do caos da vida cotidiana, há um espaço que nos permite o recolhimento. Uma brecha que encontramos para desfrutar da própria companhia. É um lugar que, distante da urgência de se ser um sujeito social, bem como cumprir nossas obrigações e estabelecer as relações necessárias, podemos estar mais perto de quem somos e buscar, em nós mesmos, todo o conforto necessário.

No entanto, a chance de isolamento não conforta a todos. Na realidade, o contato com o recolhimento é delicado para a maioria. Lidar com a solidão é ainda um aspecto que preocupa grande parte das pessoas.

Quem entendeu que é possível, sim, ser feliz sozinho, percebeu que somos capazes de nos tornar autossuficientes.


Mas os receios são justificáveis. Estar muito perto de si próprio, olhar com proximidade para o seu interior a ponto de identificar suas sombras, seu aspecto mais mesquinho, defeitos que nem sequer gosta de admitir tendem a assustar.

Mas é justamente com isso que aqueles que conseguem desfrutar da própria companhia foram capazes de aprender a lidar.

Nesse caminho, uma diferença crucial nesta reflexão é compreender a sutileza presente na diferença entre estar sozinho e se sentir sozinho. É desejável que ninguém experimente a segunda opção. O ideal é que sempre tenhamos com quem contar. No entanto, é preciso, sobretudo, entender que estar sozinho não deve implicar nenhum sentimento de pena.

Alguém que aprendeu a estar sozinho aprendeu a buscar dentro de si as razões para viver. Aprendeu na própria companhia a descobrir o que gosta, o que lhe convém, o que lhe faz bem. É talhar em si, num longo processo de autoconhecimento, a fisionomia que melhor agrada para poder, só assim, desfrutar de sua melhor versão.


Passar por um processo imersivo em nós mesmos nos torna ainda pessoas mais empáticas, mais sensíveis aos defeitos e deslizes alheios. Afinal, se estamos devidamente familiarizados com nossos defeitos, sabemos muito bem como receber os dos outros.

No final das contas, não devemos fugir de nós mesmos. É tão somente a partir do momento que encaramos nossos maiores defeitos que somos capazes de procurar saídas para eles.

O ideal seria que todos conseguíssemos viver plenamente bem sozinhos. Imagine encontrar em si mesmo a felicidade a ponto de não se iludir na busca incessante por ela em outra pessoa. Imagine quantas desilusões amorosas não seriam evitadas.

Imagine, então, achar dentro de si as forças necessárias para juntar os cacos de um fracasso, reerguer-se, com fé em si próprio, a ponto de não precisar de validação externa.


Mas não devemos nos enganar: esse não é um caminho simples. O processo para encontrar em si sua melhor companhia é longo e exige de nós, sobretudo, coragem.

O segredo para viver mais e melhor é evitar os homens!

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