Sobre amigos e “amigos”

4min. de leitura

Se você veio até aqui para ler um texto feliz, me perdoe. Mas ando um pouco revoltada com o mundo. Com as pessoas que estão nesse mundo, que mais parecem de outro mundo e me fazem pensar que, realmente, não sou apta a viver no mesmo mundo que elas. Percebo uma generalização das pessoas que me cercam em não suportar ver a felicidade alheia. A liberdade alheia. A verdade alheia. E por mais que toda a psicologia explique exatamente a normalidade da inveja, do ciúme, do medo de perder, eu não consigo deixar de olhar pro lado e me sentir sozinha. Posso contar nos dedos as pessoas que me cercam que torcem por mim. Deveria me afastar de todas as outras? Se assim fosse, morreríamos da forma que nascemos. Sozinhos. Sem amigos para nos dar adeus.



Vou dizer exatamente o que eu sinto quando vejo uma pessoa conquistando um sucesso, lutando pelo seu trabalho e sendo valorizada por aquilo: orgulho, mesmo se a pessoa em questão for um VT de retrospectiva de algum quadro do Caldeirão do Huck. Sou um ET? Ingênua? Hipócrita? Não, eu sou complacente. Tenho facilidade em me colocar no lugar do outro. Para o bem ou para o mal.

Eu sou um ser humano que não foi corrompido. Eu vibro pelas pessoas e acho que essa é a minha melhor qualidade. A maldade, a inveja, o ciúme, a energia negativa, nada disso vai tirar a minha fé na humanidade. Eu gosto de gente, me comovo com o mundo.

E é obvio que, como qualquer coisa mal retribuída, ficaria frustrada algum dia, quando caísse a ficha de que, não importa como eu deseje que as pessoas sejam, elas não vão mudar. E a ficha caiu. Estou cansada de apontar dedos, de brigar, de gastar a minha energia com quem pouco torce por mim. Por isso, me afasto. Não por achar que sou melhor do que alguém. Não por querer impor algo a alguém. Não é isso. É que enquanto houver alguém ao meu lado dizendo que eu não posso, que não sou capaz, eu jamais serei. Afundarei.


O Sem Caô é um exemplo. Quantas e quantas vezes ouvimos, sem querer, atrás da porta, nossas próprias amigas criticando nossa postura e empenho com o site? Contudo, mais de dez mil rostos desconhecidos continuam nos dando o ânimo de continuar.

Acredito em amigos que se apoiam para realizar os seus sonhos. Acredito em amizades que elevam o espírito, te botam pra frente, troca-troca, acredito em amigos que têm a pureza de torcer por alguém como se torce por um irmão ou uma irmã. Acredito em amigos que se incentivam, lutam juntos, compartilham alegrias e não julgam nos momentos de raiva.

Mas, estamos mesmos prontos para receber alguém assim em nossas vidas? Estamos fazendo o mesmo pelos outros? Enquanto eu acreditar que sim, vou continuar aqui. Quieta, muda, na minha casa. Melhor ter a ancora de um bom travesseiro, do que me apoiar em gente infeliz consigo mesmo. É queda na certa.


 

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Originalmente Publicado em Sem Caô

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