A vida não precisa de grandes acontecimentos para ser incrível, pois a felicidade mora onde existe simplicidade.

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Certa vez, nas minhas férias de outono, voltei ao lugar onde passei maior parte da minha infância. Um lugarejo verde e silencioso, longe da cidade, que me trazia lembranças singelas e profundas.



Parecia que nada tinha mudado, era como se eu tivesse voltando no tempo, e revivendo aqueles momentos intensos, os quais jamais vou esquecer.

Foi o primeiro lugar onde fui mais feliz na vida, uma roça, com uma luxuosa simplicidade, que abrigava uma família alegre e harmoniosa, que não reclamava da vida, mas agradecia pelo que tinha.

Naquela calmaria, a qual, há 19 anos, eu não experimentava, numa estrada de terra alvinha, tirei o chinelo para sentir a areia nos meus pés, andei num caminho solitário e sentei à sombra do umbuzeiro.

Recordei os momentos inesquecíveis que vivi ali, das vezes que eu e meus irmãos e alguns coleguinhas brincávamos embaixo daquela árvore. De quando saíamos de casa correndo para tomar banho na lagoa, de roupa e tudo. Não existia discriminação entre as pessoas, nós nos amávamos como éramos. Pegávamos melancia na horta, quebrávamos no lajedo e comíamos com a mão.


Cantávamos a música de sucesso da época, dançávamos, todos à vontade. Não precisávamos de celular, nem sabíamos o que era, a comunicação era boca a boca mesmo. Eu não tinha sonhos, queria viver eternamente ali, não pensava em ganhar o mundo para vencer na vida. Vivíamos o momento presente com toda intensidade de criança.

Minha alegria por estar ali, revivendo tudo aquilo, transbordava em meus olhos, ainda não tinha me dado conta do quanto eu era feliz…

Recordei-me também da maravilha que é dormir ouvindo a chuva cair no telhado, numa noite escura de primavera, quando o canto da coruja e da seriema dava lugar ao barulho da água molhando a terra.

Depois da noite sem lua e estrelas, raiava um lindo dia, os raios do sol reluziam na plantação, eu acordava com o coral de pássaros agradecendo ao Criador pela vida.


A laje (lajedo) estava cheia e os sapos também soltavam a voz. O galo com a voz forte, despertava todo o galinheiro. O cheiro de café feito no fogão à lenha enchia a casa com seu aroma. No rádio tocava música sertaneja na manhã caipira. Eu e meus irmãos saíamos da cama correndo, para subir nos pés de mamona, correr pelos caminhos da roça, catando flores de malva, recolher os ovos das galinhas, brincar de balanço, contemplar o voo das borboletas e beija-flores, nas plantas ao redor de casa.

A felicidade que habitava em nós era inexplicável, tínhamos um coração agradecido, mesmo sem saber o que era riqueza. Minha meditação embaixo daquela árvore, levou-me a fazer uma viagem para dentro de mim mesma. Fez-me tão bem! Experimentei a minha essência. E a garotinha que não imaginava ir embora, ganhou o mundo, tornou-se uma mulher, profissional bem-resolvida, percorreu um grande caminho para realizar o próprio sonho.

Com tudo isso, cheguei à conclusão de que eu era o ser humano mais feliz do universo, mesmo sem nada ter. A vida não precisa de grandes acontecimentos para ser incrível, alegre e bonita, porque a felicidade mora onde existe simplicidade.

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