Reflexão

Você nunca será um excelente profissional se for uma pessoa ruim!

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O neurocientista Howard Gardner deu uma entrevista ao jornal La Vanguardia, e falou abertamente sobre seus estudos científicos.

Quantas vezes não experimentamos momentos ruins ao lado de pessoas hierarquicamente superiores do que nós no ambiente de trabalho? Demonstrando falta de ética, profissionalismo, conhecimento técnico, habilidade de socialização ou humildade, chefes ou superiores demonstram um comportamento narcisista quando o assunto é liderança.

Ao mesmo tempo, muitos têm a sensação de que esses profissionais acabam se destacando mais no mercado de trabalho, quase demonstrando que as pessoas que “puxam o tapete” do outro são as mais promissoras. Essa forma de enxergar o mundo, normalmente aliada à nossa insatisfação com o ambiente de trabalho no qual estamos inseridos, é apontada como incorreta e até mesmo maniqueísta, de acordo com o neurocientista Howard Gardner.

Desde a década de 1980, o estudioso tenta mapear os tipos de inteligência humana, e chegou a lançar sua Teoria das Múltiplas Inteligências, destacando que existem oito formas diferentes de inteligência no mundo: musical; cinestésica/corporal; lógico-matemática; espacial; linguística; interpessoal; intrapessoal; e naturalista.

Em uma entrevista ao jornal espanhol La Vanguardia, Gardner falou um pouco sobre o que descobriu em seus estudos sobre os profissionais que são pessoas ruins. De acordo com ele, as pessoas ruins não podem ser excelentes profissionais sob nenhuma circunstância, e que podem até apresentar conhecimentos técnicos, mas nunca serão os melhores em suas áreas.

A primeira coisa que vem à mente de quem ouve isso é algum profissional conhecido que seja considerado muito bom no que faz, mas que não seja a melhor pessoa do mundo para se conviver, não é mesmo? Mas, de acordo com o neurocientista, é preciso que os melhores profissionais cumpram três características principais que chamam de ECE. Precisam ser excelentes, comprometidos e éticos.

Ou seja, não existem chances daquele indivíduo ser um excelente profissional se não trata os outros com humildade e igualdade. Gardner explica que ninguém alcança a verdadeira excelência se estiver atuando em busca de satisfação do próprio ego, ambição ou ganância. Se aquela pessoa não se comprometer com “objetivos que vão além de suas necessidades para atender a todos”, significa que não possui ética.

Ainda que a questão financeira seja apontada como principal motivo para a ausência de ética, o neurocientista reforça que a pessoa pode até ficar rica, mas jamais poderá ser considerada excelente. Porém, Gardner faz um alerta de que os profissionais recém chegados ao mercado de trabalho enxergam a ética como o luxo de quem já alcançou o sucesso, e muitas vezes esses jovens profissionais sentem que precisam aceitar qualquer proposta para conseguir pagar as contas.

Sabemos que existem dificuldades para se inserir no mercado de trabalho, e Gardner ainda reforça que muitos indivíduos ao longo da vida não vão verdadeiramente encontrar aquilo que realmente gostam da vida, e poderão ser medíocres durante muitos anos, chegando ao ponto de terem severas crises de maturidade por nunca saberem ao certo o que devem fazer, e também por nunca darem seu máximo em nada.

A verdade é que você pode se confortar em saber que, cientificamente, aquele profissional antiético que aparenta sucesso nunca poderá ser considerado excelente. A constante busca pela ética (profissional e pessoal), pelo comprometimento e pela excelência são alguns dos principais motivos que nos levam ao destaque nas áreas em que atuamos. Vale à pena dar tudo de si em todas as etapas de sua vida, sabendo que isso será capaz de auxiliar no seu futuro, não apenas dentro da Universidade ou no mercado de trabalho, mas também na vida pessoal. Se comprometa com aquilo que é certo e, provavelmente, bons frutos nascerão em alguns anos.