Alguém que facilite as coisas…

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Leia ouvindo: The xx – Islands



Estou cansada. Estou sem paciência também. Não consigo mais sentir verdade em um beijo ou numa simples conversa no whatsapp. É sempre o mesmo ciclo, uma intensidade maravilhosa inicial, um interesse mútuo e um final frio. Todos estamos mais preocupados com a margem de erro do que com os reais acertos nos relacionamentos. Está estúpido demais.

Produção, cadê aquela parte dos facilitadores no roteiro do amor?

Não estou falando de gostar de quem gosta da gente. Aliás, que conselho filho da puta esse. O certo até seria isso, mas na maioria das vezes quem gosta da gente, não tem absolutamente nada a ver com a gente. “Ah, mas você deve dar chances”. Opa se deve, mas se a relação entala na garganta e não desce nem com tequila, esqueça. Insistir nesse caso, é abraçar a margem de erro.


Não dá para facilitar as coisas com quem não está afim. Pode até parecer frio demais, mas é racional, melhor assim. Juro. Quebrar o coração alheio dói. Melhor mesmo deixar pra lá. Mas esse caso é mais fácil de resolver, o x da questão é quando o santo bate, quando a gente sente saudade, quer ficar junto e fazer planos bobos. É quando você quer uma única pessoa no meio da multidão. É nessa hora meus caros, que a gente brinca de conquistar territórios e faz fugas bobas.

É nessa hora que a gente não facilita para amor. E é exatamente nessa hora que deveria facilitar.

Alguém FOTO DENTRO


Nos escondemos atrás de personagens e jogos bobos. O perigo mora na facilidade. Aceitar de primeira o convite para jantar é fácil demais. Responder na mesma hora no whatsapp é sinal de paixão. Dizer que está com saudade é suicídio. No manual do relacionamento moderno assumir uma postura mais dura e menos sentimental é para vencedores. Vencedores do que mesmo? Do jogo? Estamos falando de entrega mútua, não de birra. Facilitar, não significar se entregar. Se eu estou afim de você e você de mim, porque eu não posso dizer que sinto saudade. Se estou online e você manda mensagem porque não responder?

Obviamente que estamos falando da facilidade para algo reciproco. Se o cara em questão for um babaca, você não tem que facilitar nada, pelo contrário, corra para a saída de emergência. Se o cara for bacana e estiver valendo a pena, porque não demostrar seu afeto? É tão errado? Novamente, não é se entregar de primeira, é realmente deixar fluir sem ficar com dedos.

É tão difícil assim encontrar alguém que facilite as coisas? Alguém que demostre afeto sem a intensidade de um furacão sentimental ou que te olhe nos olhos com doçura sem fazer grandes promessas? Alguém que aceite um café ao invés de um jantar, já que a sua agenda de trabalho está abarrotada de compromissos. Alguém que tenha vida própria sabe? Uma turma de amigos, um emprego bacana, um hobby e vontades únicas. Não quero alguém que viva a minha vida, quero viver uma vida a dois. Alguém que entenda que eu quero ter meus momentos sozinha, uma saída com as minhas amigas, um final de semana só com os meus pais ou uma viagem de trabalho por dez dias sem clamar por atenção. Alguém que me deixe finalmente com saudade e vontade de estar junto. Alguém que não queira me moldar e que também não deixe que eu o molde. Alguém que tenha encaixe, sabe? Alguém que facilite a vida dois. Sem cobrança ou peso. Alguém que saiba compartilhar sem exagerar. Alguém que entenda o meu espaço e não implore por atenção. Alguém que entenda sobre amor próprio e ao próximo. Alguém que não queira ter sempre razão.

Ei, você! Onde quer que esteja… já falei com o acaso, apareça logo. Não aguento mais ir da intensidade à frieza em curtos períodos de tempos. Não aguento mais esbarrar em gente vazia, que eu não consigo criar um pingo de admiração. Estou cansada dos falsos românticos, eles são terríveis!!!! É muita doçura e o dobro de poda.

Quero alguém para dividir o céu e sentir de verdade a vontade de ficar junto.

 

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