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Como lidar com o tempo do outro?

Há poucas horas estava tendo uma conversa com uma amiga, onde ela me dizia: “ele não responde, ele some quando vai embora da minha casa e só fala comigo naquele bat-local de quinta, de lá a história sempre se repete, e eu? E eu não sei lidar com isso, disse ela. Não sei lidar com esse buraco de uma semana, sem a resposta dele, sem ele me procurar em algum meio de comunicação, simplesmente não sei.”



Busquei em meus melhores conselhos de amiga uma resposta para essa angustia dela, embora já tenha vivido por diversas vezes situações semelhantes, onde ficamosesperando o tempo do outro para podermos viver o que desejamos. Pensei em hesitar no meu conselho, mas só pude dizer: amiga, ele tem esse tempo, essa insegurança com a aproximação, ele me parece não saber lidar com a estabilidade, com o linear, com o todo dia, e principalmente com o dia seguinte, que no seu caso, nunca há, acaba virando semana seguinte.

Lidar com o dia seguinte de um encontro é sempre complicado, é embaraçoso, manda mensagem? Liga? Manda inbox? Whatsapp? Como faz? Cadê a formula para saber a reciprocidade? Vocês estavam confortáveis com o date, estavam a vontade, o beijo foi bom, deu faísca, o papo foi divertido, rolou um “até breve”. A gente sempre acaba saindo cheio de esperança, volta para casa com o sorriso de canto de boca, dorme, acorda, e começa o tormento. Dez horas da manhã nenhum sinal – tudo bem, é cedo ainda, mas não teve um “bom dia”. Ok. Respira, guarda a ansiedade. Meio-dia, nada. Três da tarde, você entra na tela do whatsapp da pessoa e lá está ela online.Começa a entrar em parafuso. E ai vem a auto-culpa “o que eu fiz? Será que foi quando falei que não gostava de Joy Division? É isso, é isso, ele não pode ficar com alguém que não tenha o mesmo gosto musical que ele. A lista de culpa começa a crescer. Quanta bobagem. Calma, pode ser que ele só esteja esperando alguma reação sua.

Pronto, o pensamento muda, será que mando um oi? Melhor não, não vou precipitar. Não vou falar nada. Cinco da tarde, nadica. Ele já postou uma foto no instagram e você foi lá fazer xixi no postinho dele, manda um emoji fofo e ele? Ele não responde. A paranoia aumenta, daqui pra frente é downhill. Tudo que você fizer vai ser pior, e ai a loucura começa a parecer um Alien crescendo dentro de você. PARA! Do outro lado tem uma pessoa que está trabalhando, que está em reuniões, e pensou em você e no encontro umas três vezes, mas toda vez que ele tentava te mandar uma mensagem algo acontecia. Isso já passou pela sua cabeça? Jamais. Porque nosso pensamento é sempre para o negativo – obviamente esse fato dele estar ocupado pode não existir, ele pode ter acordado sem memória e nunca mais vai te procurar, mas nessa história ele volta.


Ele tem um tempo diferente do seu. Ele é mais devagar, mais cauteloso, não é jogo, ele só não tem essa ansiedade tremenda em mandar uma mensagem. Ele não quer mandar nada naquela hora, teoricamente está tudo bem. Teoricamente. Para ele o dia seguinte também está sendo difícil, ele já pensou em mandar uma mensagem, mas a timidez e o medo de se entregar é maior. As pessoas morrem de medo de se entregarem. Preferem viver uma vida cheia de acontecimentos vagos do que um acontecimento de fato profundo. Preferem deixar de viver o que poderiam só para não mudar sua rotina e dividir seu tempo e projetos com ninguém. O tempo do outro é do outro, talvez seja mais difícil tentarmos entender que não podemos controlar passo a passo desse ponteiro alheio. O seu ritmo é seu, só seu. Obviamente não é simples controlar os impulsos de pouca paciência para entender isso. Mas precisamos aceitar, nos acalmar, deixar as coisas acontecerem, naturalmente.

Não estou falando para fazermos papel de trouxa, como a maioria das vezes acontece. Estou apenas tentando respirar no saquinho e acalmar o coraçãozinho dos amigos para não enfartar antes da idade que deveria. Mas também é difícil entender qual é o tempo ideal para o outro. E qual é nosso tempo ideal. Talvez quando tivermos nossas próprias respostas, saberemos determinar os limites e ultrapassar as barreiras do aguardo eterno da atitude do outro. Sem nos ferir, sem invadir o espaço que ainda não te pertence.

 

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Escrito por Ana Albanez – Via  Revista CATWALK

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