Perdoar e voltar a confiar são coisas muito diferentes



Em muitos momentos somos magoados e muitas vezes precisamos nos reconstruir depois de uma grande decepção. Esses ciclos fazem parte das jornadas de todos nós e podem ser considerados uma parte normal da vida.

No entanto, muito mais do que apenas situações aleatórias, esses acontecimentos são oportunidades apresentadas pela vida para que possamos crescer e compreender que nem todas as pessoas que estão ao nosso redor e se apresentam como nossas “amigas” realmente merecem a nossa confiança.

Passar por esses momentos exige de nós sabedoria e é fundamental para nos ensinar a perdoar. Apesar de nos primeiros momentos haver muito ressentimento pela outra pessoa, com o passar do tempo percebemos que conservar esses sentimentos dentro de nossos corações apenas prejudicará o nosso crescimento e nos manterá presos em uma realidade de vida infeliz e limitada.

Então, priorizando a nossa saúde emocional e felicidade, aprendemos a libertar os sentimentos negativos e permitir que nossas almas tenham paz, deixando de enxergar o outro como vilão, mas compreendendo-o como uma pessoa falha, assim como nós, que tem dias ruins e merece um olhar de compaixão e empatia.

Em muitos casos deixamos de isolar totalmente essas pessoas de nossas vidas e passamos a ter uma boa convivência social com elas.

No entanto, muitas vezes elas confundem o nosso perdão como um sinal de que já esquecemos tudo e podemos voltar a conviver normalmente, como se nada tivesse acontecido.

Acontece que as coisas não funcionam dessa maneira. Perdoar é muito diferente de voltar a confiar. O perdão é uma atitude nobre que tomamos para o nosso próprio bem, é uma medida de amor-próprio e autocuidado. O perdão purifica os nossos corações e liberta as nossas mentes, mas não necessariamente restabelece um relacionamento que foi ferido.

A confiança é um tesouro, uma obra-prima que não é construída da noite para o dia, requer anos de comprometimento, companheirismo e lealdade. Ela é muito forte, mas ao mesmo tempo muito fraca. Quando é quebrada, dificilmente volta a ser inteira novamente, nem mesmo depois de um perdão.



Por mais que queiramos perdoar alguém que nos fez mal, não esquecemos rapidamente o que essa pessoa nos fez, um resquício de receio permanecerá em nossos corações, porque ninguém deseja ser magoado mais de uma vez pela mesma pessoa.

Essa pessoa pode permanecer fazendo parte de nossas vidas e podemos cultivar um vínculo com ela, mas o relacionamento certamente não será o mesmo.

Não se sinta pressionado a agir como se não doesse se ainda dói, nem se obrigue a manter contato com alguém que não deseja realmente. O que devemos fazer é perdoar e deixar nossos corações livres de qualquer tipo de mágoa, mas a confiança não é uma obrigação. Deixe para confiar naqueles que estão constantemente provando o seu valor.

Perdoar e voltar a confiar são coisas muito diferentes. Devemos saber a diferença para mantermos os nossos corações sempre saudáveis.


Texto escrito com exclusividade para o site O Amor. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.


Direitos autorais da imagem de capa: Velizar Ivanov/Unsplash.






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