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Amigo, por favor, reaproxime-se

Sei que a sua vida mudou, que você se casou, que você se tornou um gerente importante e que já não mora mais no mesmo apartamento apertado que um dia foi palco para as nossas contravenções adolescentes e para inúmeras reclamações recebidas via interfone, porém, agora, enquanto eu sou invadido pela saudade que sinto das noites em quetomávamos mais de dez saideiras, de coração, peço que volte para perto de mim. Juro que não lhe perguntarei os motivos que fizeram com que você se conformasse com a vida sem os tapas que eu dava em suas costas quando – embaraçado – o que eu queria, mesmo, era dizer que amava você. Aliás, mesmo de longe, eu ainda amo.



Sei que o trânsito está cada dia pior, que o seu tempo ocioso anda cada vez menor e que seu cansaço – físico e mental -, a cada mês, parece aumentar, mas, amigo do peito, peço que – diferente do que fez com os anteriores – não negue os meus futuros convites. Eu quero ver você e nos seus olhos – rodeados por olheiras provavelmente maiores –constatar que está tudo bem e que a vida – às vezes injusta – com você resolveu ser boa. Quero lhe proteger, de você, como um dia fiz. Quero que me proteja, de mim, como só você soube fazer.

Sei que faz tempo que não nos vemos e que da última vez em que conversamos, trocamos apenas uma ideia rápida e cheia de frases genéricas de elevador, entretanto, antigo companheiro de análises sobre bundas e amigo que um dia tentou me curar – causando-me ressaca – de um pé nas nádegas, peço que – da próxima vez que meu número aparecer em seu telefone – tenha coragem para atender o meu chamado e vença, de uma vez por todas, a vergonha que sente por ter se afastado. Prometo não lhe culpar pelo abismo que deixou surgir entre nós. Prometo não lhe cobrar pelo tempo que perdemos e pelas chances expressas de brindar cafés também expressos que desperdiçamos. Prometo não dizer que o hiato que cresceu entre nós foi culpa sua, afinal, confesso: eu também já menti por preguiça de desgrudar a bunda do sofá.

Você não apareceu no lançamento do meu livro e eu – por não estar lá – não experimentei o seu bolo de aniversário. Você ainda não sabe que estou me dedicando somente à escrita e eu, com toda certeza, ainda não sei de muitas novidades relacionadas a você. Ainda não sei, porém, amigo do passado que quero ter presente no futuro, eu estou muito ansioso e disposto a saber tudo que perdi sobre você. Quero que me conte como é viver algemado, ou melhor, casado. Brincadeira! Sabe que eu não perco a piada, certo? O que você ainda não sabe – mas que eu gostaria muito que soubesse -, é que eu também não perco o amigo. Posso até perder – por aí – conhecidos, colegas e cabelos. Porém, eu não perco, por nada, os amigos. Não mesmo! Não aqueles para quem – sem medo de entregar o meu lado mais brega – eu – após alguns copos de tequila e em algum karaokê esfumaçado – cantaria: “amigo é coisa para se guardar”.


Agora, você – apesar da pinta de durão e de fingir que é mais insensível do que o John Rambo – deve estar com uma fina película de água cobrindo os olhos. Acertei? Não precisa assumir. Não é para isso que eu estou lhe escrevendo. Sabe qual é o motivo principal deste desabafo? Ainda não? Aí vai:

O que acha de tomarmos um chope na próxima sexta? Você terá festa da empresa? Que pena. Então podemos ir na quinta-feira. O que acha? Na quinta você joga bola? Que droga. Vamos na quarta? Não perde, por nada, a chance de assistir o jogo do seu time? Que tal bebermos na terça? Você parou de beber? Podemos comer um temaki então. Fechado? Tornou-se alérgico a salmão? Vamos de pizza? Está sem carro? Eu busco você. Você mora longe? Não me importo. O preço da gasolina está abusivo? O valor da nossa amizade é ainda maior. Você não tem mais desculpa para inventar mais desculpas.

Na terça, às 21h00, vamos reativar aquilo que nunca deveríamos ter deixado pausado: a nossa amizade.

Obs: calce seu sapato de beber cerveja e tome dois ENGOVS antes, pois depois…


 

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Escrito por Ricardo Coiro – Via CATWALK


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