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Antes eu gostava do sol…

Antes, eu gostava do sol…



Não ligava se ele batia no meu rosto até arder, se me deixava quase cega com tanta claridade ou se enrugava a minha pele.

Antes, eu olhava para os dias ensolarados e via cores, desejos, vontades e oportunidades.

Pensava em tomar uma coca bem gelada no almoço e um sorvete na sobremesa.

Ah, eu realmente amava o sol…


E sabe, acho que ele me correspondia! Tínhamos uma relação!

Mas com o passar do tempo, dos anos, ele começou a exigir de mim uma resistência que eu estava perdendo. Eu não queria sentir mais a sua forte presença tocando a minha pele, incomodava. Não conseguia mais olhar à minha frente porque a claridade cansava meus olhos. E comecei a criar uma antipatia por aquele que foi sempre meu companheiro todos os dias.


antes eu gostava do sol - capa

Comecei realmente a amar a chuva, os dias frios e cinzentos.

Meu Deus, essa não sou eu! Quem pode gostar disso?

Ansiava por ver uma nuvem no céu, ouvir um trovão, sentir um vento gelado, cortante no rosto. Sentia-me absolutamente confortável nesses dias, feliz, disposta e não queria mais dias ensolarados.

Tentei então entender o que seria essa fase na minha vida, porque me cansei de algo que algo que eu gostava tanto?

Escrevi uma carta para o sol, pedi desculpas por ter fugido sem dar explicações, por não querer nem mais sair de casa quando ele estava lá, lindo brilhante. Mas que ele me entendesse, pois me sentia confortável longe dele e queria ficar assim.

Ele sabiamente me respondeu:

Minha querida,

Você não sabe a alegria que me deu a sua carta. Fiquei feliz por saber que a maturidade chegou pra você de uma forma tão natural, tão humana.

Nosso relacionamento foi apenas uma fase e também uma preparação. Nos dias em que eu estava contigo, você ia à escola, divertia-se como uma jovem e fazia tudo que a minha luz e o meu calor podiam te proporcionar. Mas eu já estava ficando preocupado, porque os dias frios, úmidos, escuros iram existir também, eu não estaria perto de você. Nestes dias, muitas vezes você precisaria ficar em casa quieta, aprendendo formas de se amar e amar outros, é um momento de reflexão, de estar perto de quem você ama, de terminar projetos que foram começados em outros invernos.  Não sabia se você estava preparada e brilhei com toda minha força para que sua pele ficasse grossa, resistente aos ventos cortantes. Preparei seus olhos para que mesmo em meio à escuridão você sempre soubesse onde estava. Você fez tantas coisas fora, aproveitou tanto os dias ensolarados que sobraram muitas caixas, memórias, muitas cores  para se lembrar nos dias cinzentos.

Você amadureceu!

Você teve verões longos e intensos que te prepararam para viver os invernos cinzentos.

Não precisa se desculpar comigo, cumpri meu papel de brilhar com toda minha força na hora certa e estou satisfeito que você tenha se encontrado na chuva, no vento e na escuridão.

Seu querido,

Sol.

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Muitas vezes as pessoas se esquecem de viver as fases, as estações de uma vida. Reclamam tanto do brilho do sol que quando ele some ficam perdidas sem saber lidar com o cinza, com a frieza.

Quem aproveita cada minuto os amores de sua vida na fase certa certamente será mais feliz.

A infância, a adolescência, a juventude, a maturidade, a velhice… Paixões  e estações cheias de oportunidades e momentos próprios.

Hoje, eu gosto da chuva, do frio e dos dias cinzas.

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Texto escrito com exclusividade para o site O Amor. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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