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Caixão não tem gaveta!

Em 1922 o arqueólogo Howard Carter encontrou a tumba intacta de um faraó morto ainda jovem cujo nome era Tutancâmon.  Em razão da morte precoce sua tumba foi considerada modesta porém, por ter sido a única tumba encontrada completamente intacta, Tut ganhou importância histórica ao nos mostrar como nossos antepassados viam a passagem para o outro mundo após a morte. Acreditando ser possível levar o corpo físico e os bens materiais junto de si no momento da partida deste mundo, os egípcios mumificavam seus corpos e colocavam em suas tumbas tesouros que supostamente serviriam para algo.



Tut, cuja tumba e tesouros não chegavam aos pés dos grandes faraós como Ramsés II, foi quem nos mostrou, séculos depois a ostentação esculpida a ouro maciço e pedras preciosas que adornava o mundo antigo. Lembro-me de ter ficado em estado de catatonia por alguns segundos quando vi de perto a máscara mortuária do jovem faraó exposto em lugar de destaque no museu do Cairo em meio a centenas de múmias espalhadas por todas as salas.

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Não houve ressurreição nem vida eterna para aqueles corpos e nem tampouco utilidade alguma para aqueles tesouros que não fosse a exposição aos olhares curiosos de turistas ou o saque pelos ladrões que chegaram bem antes dos arqueólogos. Grandes faraós cujas tumbas eram bem maiores e valiosas foram saqueadas séculos antes da descoberta da tumba do rei Tut. O fim dos corpos mumificados e dos tesouros enterrados junto aos seus proprietários foi bem diferente do que o esperado e desejado por eles.

Foram aqueles nossos antepassados que, sem pretensão alguma, nos ensinaram que caixões não têm gavetas. As tumbas destinadas aos corpos que morrem, sejam elas pequenas gavetas ou mausoléus esculpidos em mármore, servem apenas para depositar o corpo físico de duração finita que nos representa como seres humanos habitantes do planeta terra.


Nada mais será levado quando morrermos e então estaremos por conta da nossa fé. Cada um acredita no que possa vir então, porém, acho pouco provável que ainda hoje alguém afirme ser possível carregar algum bem quando chegar a hora de ir.

E mesmo diante deste fato, ainda hoje há gente que viva como os antigos faraós. Há quem acredite ser pertencente à realeza absolutista ou a alguma casta superior. Há quem esteja apegado ao dinheiro que hoje substitui o antigo ouro como se fosse carregá-lo para todo o sempre e apresentá-lo um dia ao guardião dos portões do céu com o intuito de adquirir algum terreno em condomínio fechado, uma área vip, uma poltrona na primeira classe ou uma vaga com direito a vallet.


Ainda hoje é possível encontrar indivíduos que se imaginam em posição hierárquica superior à de seus semelhantes, que acreditam que as relações devem ser restritas aos que possuem as mesmas – ou semelhantes – riquezas, que isso vai lhes garantir a felicidade e que haja mesmo algum valor em admirar e ser admirado pelo que se tem; quando na verdade a única coisa que importa é o que se é.

Ainda hoje há quem se incomode se o outro tem um carro, uma casa, uma bolsa ou um par de silicones maior do que o seu. Há quem não tenha paz por ter que ostentar o tempo todo o seu tesouro e que perca o sono quando o tamanho do iate do vizinho é maior.

Ainda hoje há quem escolha a dedo quem pode ou não participar de sua luxuosa vida, que se preocupe constantemente com a inveja e o mau olhado que os outros possam lhe direcionar tal qual fossem faraós, deuses, imortais.

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Somos SETE BILHÕES de habitantes neste planeta, vivendo em condições adversas que variam de mansões bilhonárias a casebres insalubres. Somos uma espécie que vive menos que um século e que não sabe ao certo se e para onde irá após a morte do corpo. Entretanto já deveríamos ter aprendido com o rei Tut que não levaremos conosco nada que aqui existe independente de onde seremos levados pela nossa fé.

Os portões do céu não devem sequer conhecer o verbo ter, nem tampouco possuem uma lista de convidados Vips. De nada vai adiantar perguntar ao guardião das portas do céu se ele sabe com quem está falando nem imaginar que ele saiba a importância do seu sobrenome.

Estamos todos desnudos e o nosso corpo apodrecerá de forma idêntica á do nosso semelhante. O ouro ficará para ser saqueado, exposto ou esquecido. Esta é a lei.

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Texto escrito com exclusividade para o site O Amor. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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