Não tenha medo de recomeçar

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Eu sei que parece um novo pulo pro abismo, principalmente quando aquele amor doído (e talvez meio doido) ainda não passou. Sei que o sentimento que fica é que o risco não vale a pena, que a gente quer (e precisa) se conservar mais um pouco, que o recomeço não deveria ser agora. Sei que você vai empurrar isso até quando não puder mais, mesmo que alguém te chame a atenção ou diga alguma coisa que remexa em você. Não importa, você não tá pronta, todo mundo tem que respeitar isso. Mas… não tá pronta ou é medo?



Sei que cada encontro vai cutucar uma ferida semi-cicatrizada, aquele tipo em que basta esfregar demais a pele que fica vermelho de novo, sabe? Não dói tanto por fora, mas talvez doa por dentro. Dói porque tudo lembra da queda, como se você tivesse perdido o medo de andar de bicicleta e sofrido um acidente, como se subir de novo em qualquer outra bicicleta do mundo fosse aterrorizante. Amar de novo é mais ou menos assim, principalmente quando o corpo e a alma e os beijos e a cama dividida e as horas do whatsapp sofreram fadiga depois do último amor.

Pior que o medo talvez seja a preguiça. Aquela vontade abaixo de zero de sair do sofá, de dar assunto além do oi, de dizer várias e várias vezes as mesmas frases repetidas da sua vida, como se tivesse decorado e gravado uma faixa em que só dá play quando encontra alguém. Mais fadiga ainda. É chato, parece insensível da parte deles pedirem tanto assim num repeteco infinito que só Deus e você sabem quantas vezes foi solicitado. E é duro porque no começo nenhum deles mexe com você como ele mexia – uma benção e uma maldição, dependendo do ponto de vista, dependendo de como você se sentia com ele e depois dele.

Eu sei de tudo isso, mas também sei que grande parte da recusa é medo. Medo de chegar na ponta do abismo e perceber que você está disposta a cair. Medo de gostar da conversa e gostar de contar tudo e passar noites e mais noites recitando a história que você gostaria de contar. Medo de deixar alguém chegar de novo e ver alguém partir. Medo de se sentir num paraíso e despencar em menos de dois segundos depois porque, bem, não era ele e não era pra você. Resumindo: medo. Normal, te entendo, amar dá medo, estranho se não desse. Medo é uma forma que a mente humana encontrou pra preservar a gente, é uma sinal de que a gente precisa ficar atrás da faixa amarela da vida (assim como no metrô). E medo é uma construção psicológica que a gente coloca como barreira, não é à toa que vivem dizendo pra gente vencer o medo. Ele é um monstrinho que se alimenta do recuo, da autossabotagem, daquelas vezes em que a gente se olha no espelho e diz que não vai mais tentar.


Ter medo é normal, mas não vale a pena. Não vale a pena isolar o que você sente aí dentro por conta de meia dúzia de experiências negativas e dolorosas do passado. É assim mesmo: a gente apanha, bate, apanha, bate, até chegar uma hora em que tudo fica em sintonia. Nosso coração é meio Wolverine, tem essa incrível capacidade de se regenerar pra que a gente continue batendo e apanhando até acertar. É como entrar no ringue, você não pode recuar por medo de um soco na cara – não só no amor, né? Todo mundo passa por isso, você não tá sozinha. Pra dar certo você tem que tentar, blá blá blá e toda aquela história que você tá cansada de saber. Se ferir faz parte de contar uma história, de entender o que você quer pra sua vida, o que não quer mais, o que te faz vibrar, o que te faz sentir como se estivesse viva.. Como dizia aquela música da MPB que mamãe sempre me dizia quando eu acabava uma história de coração partido: “ah, coração, se apronta pra recomeçar”. E ele se apronta mesmo, pode confiar que ele vai (se você deixar) com medo ou sem ele.

 

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Por: Daniel Bovolento– Via: Superela (Superela é uma plataforma capaz de fazer as mulheres mais felizes, tudo de especial sobre Amor, Sexo, Vida, Beleza e Estilo! Mais textos incríveis em: Superela.com)

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