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A perfeição do imperfeito!

Outro dia assistindo a um programa de culinária o apresentador buscou uma travessa para servir o prato feito. A travessa de louça azul estava lascada em dois cantos. Que coisa impensável para apresentar na televisão, não? Não mesmo.



Assim que ele escolheu a travessa no guarda louça, em um comentário simples ele disse que amava peças que tinham história e que aquela, em especial, já havia participado de tantas comemorações, almoços em família e aparecido nos seus programas em outros episódios que ela (travessa) já se sentia estrela do programa.

Achei aquilo incrível e não me pareceu em nada que fosse uma desculpa televisiva, até porque era possível parar a gravação e editar a cena com uma travessa nova, sem lascados, o que não aconteceu.

A PERFEIÇÃO - FOTO 01

Assim que terminou o programa fiquei pensando em uma história que já tinha lido sobre louças japonesas e o   Kintsugi ou kintsukuroi.  Essas palavras tão diferentes para nós nada mais são que a arte secular japonesa de restauração de peças lascadas ou quebradas utilizando um verniz especial (laca) polvilhado com ouro em pó, prata ou platina. E o efeito, lindo.


No início do século XV a mistura era usada em peças de porcelana e louça. Atualmente se utiliza a técnica também artigos de couro e tecidos. As partes quebradas, lascadas ou rasgadas são coladas com esta mistura, recuperando a função inicial das peças.  E, pensei eu, poderia ser utilizada em gente.

Mas como assim? O que tem isso a ver com gente, conosco? E eu respondo: muita coisa.


A sabedoria oriental transforma as peças lascadas ou quebradas em algo único, impossível de serem reproduzidas, e ai a analogia que quero apresentar:  – Nós, apesar dos machucados, ferimentos ou sensação de despedaçados internamente, podemos sim nos recuperar e nos tornarmos mais seguros e fortes. O que nos falta é encontrar a nossa “laca e o pó de ouro” para a mistura.

A PERFEIÇÃO DO IMPERFEITO - FOTO 02

Penso que para algumas pessoas esta cola seria feita de lágrimas e fé – qualquer que seja ela. Para outros de suor e determinação? Para outros ainda, risadas e um deixa pra lá verdadeiro, ou então, perdão e amor – próprio e aos demais, por que não? Entretanto será necessário ter consciência de que a cola e o verniz precisam de tempo para secar e brilhar, culminado assim na recuperação do físico e da alma.

Como resultado teremos cada um de nós convertidos em peças únicas, mais preciosas e fortes que o formato anterior. E cada vinco da laca representará a cicatriz de uma história indivisível, única e surpreendente.

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Texto escrito com exclusividade para o site O Amor. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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